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O peso da pressão política no Compliance

por

batistacarneiro1997

O papel do Compliance Officer dentro das organizações é, por definição, técnico e estratégico. Ele existe para garantir que a empresa siga normas legais e regulatórias, além de cultivar uma cultura ética e de integridade, de acordo com políticas internas. Contudo, na prática, muitos profissionais acabam enfrentando pressões políticas, hierárquicas ou de interesses pessoais, que podem colocar em xeque a autonomia necessária para exercer a função de maneira plena.

Quando decisões técnicas passam a ser relativizadas por agendas políticas ou disputas internas, o risco é claro: abre-se espaço para falhas de governança, riscos regulatórios e escândalos reputacionais, como retratado com certa frequência nas manchetes ultimamente.

É nesse contexto que surge uma alternativa que garante autonomia e independência: o modelo de Compliance Officer as a Service (COaaS).

Dois cenários de aplicação do COaaS

1. Empresas que ainda não possuem programa de compliance instituído

Nessas situações, o COaaS pode assumir integralmente a função, estruturando o programa desde o início, com:

  • Risk assessment
  • Criação ou revisão de Código de Ética e Integridade e políticas de Compliance
  • Implementação de controles internos
  • Gestão do Canal de Ética e Investigação de denúncias
  • Treinamentos e monitoramento contínuo
  • Participação em Comitê de Ética

Para as PMEs, é uma forma eficiente e acessível de dar o primeiro passo rumo a um programa robusto, sem a necessidade imediata de contratar um compliance officer interno, ao mesmo tempo em que garante independência e autonomia do profissional.

2. Empresas que já possuem programa de compliance instituído e um compliance officer interno

Aqui, o COaaS atua como parceiro estratégico, oferecendo apoio em frentes específicas, como:

  • Gestão independente do canal de denúncias
  • Condução de investigações, principalmente as mais delicadas
  • Treinamentos e palestras com benchmarking atualizado
  • Consultoria especializada para temas complexos

Nessa segunda hipótese, o COaaS não substitui, mas fortalece a atuação do compliance officer interno, agindo como um longa manus e contribuindo com a visão externa, sem perder o alinhamento com a realidade e a cultura da empresa.

Conclusão

Em um cenário onde credibilidade, independência e resiliência são fundamentais para o Compliance, o modelo “as a Service” pode ser tanto a solução inicial para quem ainda não estruturou sua área, como em PMEs, quanto um aliado poderoso para empresas que já possuem programas de compliance, mas que entendem o valor de contar com um apoio externo qualificado, imparcial e isento de pressões internas.

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